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Brasil emite certidão de óbito de pianista morto na Argentina em 1976

24 de Dezembro, 2025
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Brasil emite certidão de óbito de pianista morto na Argentina em 1976
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A certidão de óbito do pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior, também conhecido como Tenório Jr., foi emitida através do 4º Ofício do Gama, no Distrito Federal. A informação foi confirmada ao Metrópoles terça-feira agora (23/12) através do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

De acordo com a pasta, o documento foi expedido depois de pedido da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Tenório Jr. desapareceu em 18 de março de 1976, depois de deixar o Hotel Normandie, na área central de Buenos Aires, às vespéras da ditadura militar argentina.

Relembre o desaparecimento do pianista O corpo do pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior foi reconhecido através da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) em 13 de setembro deste ano. A reconhecimento ocorreu por intermédio das impressões digitais. Apesar disso, os restos mortais do músico não foram recuperados. As investigações apontam que o corpo foi enterrado como “não identificado” no cemitério de Benavídez, na província de Buenos Aires. Tenório Jr. tinha 35 anos quando chegou à capital argentina, no mês de março de 1976, para acompanhar Vinícius de Moraes e Toquinho em uma turnê. O desaparecimento ocorreu poucos dias antes do golpe militar que depôs a então presidente Isabelita Perón. Conforme informações do governo argentino, dois dias depois de o desaparecimento do pianista, o corpo de um homem foi visto em um terreno baldio na Rua Belgrano, no bairro de Tigre. Tenório Jr. teria sido confundido com um militante político e detido por agentes do serviço secreto da Marinha argentina. Na ocasião, foi iniciado um processo de reconhecimento, com a coleta das impressões digitais e a realização de autópsia. Mesmo assim, o corpo acabou enterrado como não reconhecido em 20 de março de 1976.

Também no mês de setembro deste ano, a família do artista recebeu o laudo oficial que aponta a causa da morte. Conforme o documento, ele foi executado com cinco tiros, sendo um na cabeça, dois no braço esquerdo e três no tronco.

Leia também Mundo Corpo de pianista do Brasil é reconhecido na Argentina 49 anos depois Mundo Governo Milei remove sigilo de arquivos da ditadura na Argentina Mundo Governo Milei manda fechar museu contra a ditadura na Argentina Linha de investigação Anos depois, a Procuradoria de Crimes Contra a Humanidade da Argentina abriu investigações sobre processos judiciais iniciados na província de Buenos Aires entre 1975 e 1983. As ações analisam casos de cadáveres descobertos em vias públicas e enterrados sem reconhecimento, com o objetivo de contabilizar vítimas do regime militar.

Na sequência, a Câmara Federal de Recursos Criminais e Correcionais da Capital Federal determinou a comparação das impressões digitais coletadas em 1976 com as de Tenório Jr., arquivadas no Brasil.

A identidade do pianista foi confirmada, e a família foi de forma oficial notificada através da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e através do procurador Ivan Marx, conselheiro do colegiado.

Em 2013, a Comissão Nacional da Verdade, no Brasil, iniciou uma investigação para tentar localizar os restos mortais do músico, a pedido da família. Tenório Jr. deixou a esposa, Carmen Cerqueira — grávida de oito meses à época — e outros quatro filhos.

Com informações Metropoles

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